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sábado, 10 de setembro de 2011

Pequenos



Ela quis escrever em terceira pessoa sobre felicidade.
Ela quis escrever em terceira pessoa.
Ela quis escrever.
Ela quis.
Ela.



Calou-se.




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quis escrever um texto sem pontos sem virgulas e sem paradas
outalvezjuntarasletrasassim



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Momento que não tem tempo. Se chama instante.


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Chouveu de novo a chuva que chorou por mim...
Chorou de novo a chuva que choveu por mim...

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"Sou uma gaivota. Não, não, não, sou uma atriz. Uma atriz."
Nina se descobre atriz quando se nega gaivota.
Em busca da laicidade do teatro.





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Ainda podia ouvir uma música suave. O eco de uma risada sincera. Os dedos entrelaçados. O tango.

Ainda tentava brincar com as palavras.

Riu-se. E só.

"something is changing beside you and don´t you know"



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Ele coube em seus bracos e transbordou. Depois bordaram um abraco. E foram por um instante um. Eternidades.
E ela quis declarar que era tambem feita de despedidas.


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segunda-feira, 19 de julho de 2010

Presente, presente, presente - ou Abraço

Corda. Ela pulava: presente, presente, presente. Cada vez que seus pés encontavam o chão. E na sua cabeca as palavras ressoavam: passado, passado, passado. Toda a vez que os seus pés deixavam o chao.

Calava-se porque nao sabia o que dizer. Ria-se. E por um instante acreditou que poderia ser feliz. Que poderia ser para sempre.

Olhou pela ultima vez aquele abraco. Última? Maldisse a efemeridade. Sera que aquele instante bastaria?

(2007)

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Um começo

O espelho. Quantos contos e historias comecam com uma mulher que se olha no espelho e tenta reconhcer a sua face? Talvez muitos, mas olhava no espelho e nao se importava com o comeco dos romances. Engracado como as coisas que aconteciam parece que vinham so para caracterizar a heroina do romance. Talvez estivesse mais para anti-heroina. Olhava no espelho, apenas.

A mao no rosto. Cabelos presos, embaracados. Pela primeira vez nao tentava achar-se num rosto que nao parecia o seu. O contrario. Tentava procurar o que estava diferente. Porque sabia que tinha algo diferente. Sabia que seus olhos nao eram os mesmos, apesar de insistirem em repetir o mesmo castanho de sempre, as vezes um pouco esverdeados.

Por que descrevera-se mulher e nao menina? Por que as suas maos eram outras? Ah! a tempestade.

2007
Uma garoa fina. Ah! Como esperava uma tempestade! O espelho não mais estava embaçado. Mas ela revisitava antigos sentidos. Ria-se. Fragmentos. Pós-moderno, pós-dramático, pós unidade de ação, pós ação. Restava apenas uma catarse epifânica. A energia potencial pulsava. Ah! Como desejava uma tempestade! Revisitava antigos sentidos. Coisas lhe voltavam como lembranças - novamente Pirandello – lembranças que nem pareciam suas. Ainda tentava relacionar-se com as palavras. E talvez com as ações. Revisitava antigos sentidos, mas seus olhos não eram os mesmos. E nem as suas mãos. Brincava com efemeridades. E pulsava...

2007

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Posso me sentar ao teu lado?

Uma música qualquer rolava ao fundo. Mas parecia inaudível, misturava-se com aquele burburinho de falas. De palavras. Tanta gente. Algumas risadas. Observava apenas. Alguns casais de namorados. Uns meninos que falavam alto.

Burburinhos. Tanta gente. Continuava observando. No canto do bar havia um grupo de rapazes, que olhavam em vão para umas meninas da mesa ao lado. Um casal: uma lágrima escorria pelo rosto dela e ele apenas observava. Tantas palavras.

Burburinhos. Assustou-se com o garçom, lhe oferecendo mais uma cerveja. Tantas palavras. Tanta falta de significados. Tanta gente. Perguntou-se mais uma vez que música era aquela que estava tocando. Mas de fato isso não faria a menor importância. Resolveu tentar observar as palavras ditas à sua volta. Viu-se detida em imagens.

Burburinhos, algumas palavras. O relógio. Meia noite e meia. Sem mais. Definitivamente o silêncio sempre quisera dizer tantas coisas. Levantou-se. Hesitou, mas seguiu até a outra mesa de canto. Ele olhou-a. E ela: "Posso me sentar ao teu lado e segurar a tua mão?"

2007

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Morte - ou aquela da foto que a segurava quando bebê

A princípio não parecia real. Era só um artifício para caracterizar a personagem principal de um romance. Ela andava pelo meio fio, um daqueles estreitos, tentando equilibrar-se. Como criança. A garagem. Vem a imagem de sua vó.


O lugar à mesa vazio, ou ocupado por uma outra pessoa qualquer, marcava a ausência. Dificil materializar a morte. Era uma falta, uma lacuna. Um lugar tão completamente outro sem ela. Andava pelo meio fio como criança, mas sentia-se adulta. Pela primeira vez adulta.


Adulta. Faltava. Aquela não era a mesma casa, não era a mesma cidade, a mesma rotina que por muitas vezes não quisera viver. Andava no meio fio e descobria o quanto amava esses momentos. Essas visitas, essa pessoa que agora era a ausência.


Lágrimas discretas. Um sentimento de.... um sentimento que não saberia explicar. Imagem do enterro. De seu semblante tranquilo. Nunca tinha entendido quando da morte falavam tranquilidade. Talvez agora entendia.


E podia continuar andando pelo meio fio. Mesmo com aquela ausência, que as poucos se transformava em saudades. Porque a sentia dentro de si. Algo de sua vó pulsava dentro dela e ela podia equilibrar-se novamente no meio fio...

janeiro de 2007