sexta-feira, 3 de dezembro de 2010
domingo, 28 de novembro de 2010
Confesso que vivi. O Nerruda está assim, na cabeceira da minha cama, contando um pouco das suas histórias por dia, tirando o meu sono, me ninando, me embalando, me desafiando. Confessando-me que viveu. E hoje cá estou eu. Entre o Nerruda e o Tchéckhov, tentando construir uma cena. Um decisão. Uma vida. Entre a Irina, e a mulher dos olhos verdes. A duas semanas de uma estreia, da estreia de um projeto que me encanta, me instiga, me move e me apaixona a cada ensaio, a cada segunda e quarta feira.
O sol lá fora e eu aqui, vivendo nas paredes do meu quarto. Deitando na cama, escrevendo no computador. Porque amanha é segunda e vida bate na porta. A vida não, a sobrevida. E eu tenho vivido na dúvida. Mas por mais bizarro que pareça tenho descobrido muitas coisas. Porque depois das responsabilidades, que dificultam a vida, eu descobri um sabor especial em cada vitória e conquista. Cada passo que eu acerto é meu, só meu. A alegria vem em dobro me arrastar e me virar de ponta cabeça.
Agora eu acenderia um cigarro, se por acaso eu fumasse.
O sol lá fora e eu aqui, vivendo nas paredes do meu quarto. Deitando na cama, escrevendo no computador. Porque amanha é segunda e vida bate na porta. A vida não, a sobrevida. E eu tenho vivido na dúvida. Mas por mais bizarro que pareça tenho descobrido muitas coisas. Porque depois das responsabilidades, que dificultam a vida, eu descobri um sabor especial em cada vitória e conquista. Cada passo que eu acerto é meu, só meu. A alegria vem em dobro me arrastar e me virar de ponta cabeça.
Agora eu acenderia um cigarro, se por acaso eu fumasse.
sábado, 13 de novembro de 2010
quarta-feira, 10 de novembro de 2010
Espelho
Sentou-se na platéia e queria de qualquer maneira lembrar-se da história da peça. Vinham-lhe outros Nelsons Rodrigues: as mulheres, as fugas, os filhos, as botinas, a insônia e a náusea. Mas os afogados faltavam-lhe. Mesmo que já houvesse lido, não se lembrava nem mesmo quem era a senhora dos afogados. Abandonou-se então como espectadora. E pode.
Simplesmente espectadora de teatro. Quando mais podia respirá-lo. Respirava teatro e vida. E pedia licença a todos os clichês. Porque assim era. E, claro aos fragmentos da pós-modernidade. E teve um súbito medo de esquecer as descobertas que eram suas. Quis agarrá-las com todas as suas forças. Quis escrever. Esquecer-se de todo o resto.
O teatro estava tão cheio que sentiu-se invadida. Egoísta, não tinha vontade de compartilhar a dita experiência estética com tanta gente. Bem como as suas lágrimas. Porque não podiam deixá-la sozinha? O palco centralizava as histórias reais e ficcionais. E não havia mais real e ficcional. Havia uma sensação física. Uma dor. E lágrimas.
Não podiam poupá-la de ser sozinha. Por que então tentavam tirar-lhe aquele direito? Por um instante pudera olhar no espelho, sozinha. Sozinha entre quatro paredes brancas. Escondeu-se no canto. Procurando por si. Uma lágrima refez o desenho do seu rosto. E seu rosto parecia disforme. E era tão puro.
E a menina da cena não mais podia olhar o seu rosto no espelho. Tantas faces diante do espelho. Tantas perguntas diante dessa face. Face que é página em branco. Passou a mão no rosto para concretizar algumas linhas. As falas da peça e pessoas a sua volta perguntando-lhe por lhe caíra uma lágrima. E seguraram aquela lágrima. Não a deixaram terminar de escorrer.
Releu o texto que escrevia. Juntava o teatro e a vida e as suas histórias e verdades. Os tais jogos cênicos. As tais ações, e escreveu. Transformava a sua respiração em narrativa. Quis ainda falar do outro, depois de discorrer sobre si, e não pode. O outro era algo tão puro que resumia-se apenas em um abraço. E em um olhar que ainda queria guardar.
Simplesmente espectadora de teatro. Quando mais podia respirá-lo. Respirava teatro e vida. E pedia licença a todos os clichês. Porque assim era. E, claro aos fragmentos da pós-modernidade. E teve um súbito medo de esquecer as descobertas que eram suas. Quis agarrá-las com todas as suas forças. Quis escrever. Esquecer-se de todo o resto.
O teatro estava tão cheio que sentiu-se invadida. Egoísta, não tinha vontade de compartilhar a dita experiência estética com tanta gente. Bem como as suas lágrimas. Porque não podiam deixá-la sozinha? O palco centralizava as histórias reais e ficcionais. E não havia mais real e ficcional. Havia uma sensação física. Uma dor. E lágrimas.
Não podiam poupá-la de ser sozinha. Por que então tentavam tirar-lhe aquele direito? Por um instante pudera olhar no espelho, sozinha. Sozinha entre quatro paredes brancas. Escondeu-se no canto. Procurando por si. Uma lágrima refez o desenho do seu rosto. E seu rosto parecia disforme. E era tão puro.
E a menina da cena não mais podia olhar o seu rosto no espelho. Tantas faces diante do espelho. Tantas perguntas diante dessa face. Face que é página em branco. Passou a mão no rosto para concretizar algumas linhas. As falas da peça e pessoas a sua volta perguntando-lhe por lhe caíra uma lágrima. E seguraram aquela lágrima. Não a deixaram terminar de escorrer.
Releu o texto que escrevia. Juntava o teatro e a vida e as suas histórias e verdades. Os tais jogos cênicos. As tais ações, e escreveu. Transformava a sua respiração em narrativa. Quis ainda falar do outro, depois de discorrer sobre si, e não pode. O outro era algo tão puro que resumia-se apenas em um abraço. E em um olhar que ainda queria guardar.
AMOR
foram poucas palavras. silencio de quem ja nao tem nada a dizer. e sabe que esse silencio e esse nada a dizer vieram de tantas coisas que quase foram ditas, que quase foram vividas. quase confidentes pelo passado. sem mais tremores e temores. nao houve frio na barriga. nem mesmo vontade de estar. nem tristeza melancolica. ele foi. mas nao e mais. e e so.
um ano. enveredara-se pelos caminhos da realidade. por um instante ainda quis lhe dizer obrigada. mas nao o encontrou em sua imagem. sobrava-lhe uma lembranca irreal, carregada de sentido e de amor.
era puro ato de amor. amor por nao ser mais, tendo ja sido demais. amor por saber que ficara, mesmo agora indo embora. mas amor. e era no adeus que podia entender essa palavra. vontade de sorrir. amor amor amor.
passagens por um ponto de onibus. partidas. atravessou a rua. e nem mesmo olhou para tras.
um ano. enveredara-se pelos caminhos da realidade. por um instante ainda quis lhe dizer obrigada. mas nao o encontrou em sua imagem. sobrava-lhe uma lembranca irreal, carregada de sentido e de amor.
era puro ato de amor. amor por nao ser mais, tendo ja sido demais. amor por saber que ficara, mesmo agora indo embora. mas amor. e era no adeus que podia entender essa palavra. vontade de sorrir. amor amor amor.
passagens por um ponto de onibus. partidas. atravessou a rua. e nem mesmo olhou para tras.
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